“E as mulheres negras, como ficam?” Provocações à psicanálise sobre feminicídio a partir da interseccionalidade
Mots-clés :
Feminicídio, psicanálise, violência contra as mulheres, feminismo, interseccionalidadeRésumé
Questionamos, neste artigo, os limites e potencialidades de leituras psicanalíticas para a compreensão do crime de feminicídio. Em uma perspectiva crítica e interseccional que indaga a metapsicologia, a partir do reconhecimento das experiências de mulheres negras, problematizamos proposições psicanalíticas sobre “o feminino”, evidenciando que: 1) leituras universais sobre mulheres tendem a excluir as especificidades de mulheres racializadas, como as mulheres negras; 2) a insistência em atrelar feminilidade e passividade é uma leitura que reifi ca binarismos de gênero e, portanto, não se alinha às proposições copernicanas. Concluímos ser importante atrelar a compreensão da sexualidade infantil, constitutiva do sexual, aos estudos políticos e sociológicos a fim de analisar devidamente os fenômenos sociais que constituem as subjetividades dos homens agressores e das mulheres agredidas.